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Conhecimento e reflexão para não se deixar enganar

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Entramos em um ano eleitoral, em nove meses o País escolherá o próximo presidente da República. Esse período certamente será marcado por intensa propaganda, permeada por muitas mentiras, meias-verdades e promessas – novas e requentadas – na tentativa de ganhar o voto do eleitor.

Quem está, de fato, interessado em fazer a melhor opção para o Brasil, precisa conhecer ou se lembrar de alguns dados fundamentais para decidir com consciência quando chegar o momento das urnas. Vamos a alguns fatos.

Nos últimos 23 anos, o Brasil foi governado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu partido (PT), durante 16,5 anos, ou seja, 70% do período. É impossível, portanto, dissociar a responsabilidade do atual governo da situação do país nesse momento. É bom lembrar, ainda, sem qualquer viés de etarismo, que se reeleito, Lula iniciará seu quarto mandato com 81 anos de idade e encerrará o governo com 85 anos.

Atualmente, de acordo com o IBGE e o Banco Mundial, o Brasil tem quase 60 milhões de pessoas vivendo com renda per capita mensal inferior a R$ 600,00. É pouco mais de um terço do salário-mínimo. Além disso, cerca de 70% dos aposentados e pensionistas do INSS, que somam 27 milhões de pessoas, recebem apenas um salário-mínimo mensal, ou seja, R$ 1.621,00.

No país, são mais de 4 milhões de pessoas idosas e deficientes sem nenhuma renda, sustentando-se exclusivamente com um salário-mínimo mensal garantido pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), sem direito ao 13º salário.

Temos ainda de 20 a 21 milhões de famílias – o correspondente a mais de 60 milhões de brasileiros – recebendo o benefício do Bolsa-Família, em média inferior a R$ 700,00/mês, sendo condição para ter acesso ao programa estar registrado no cadastro único e viver na pobreza (com renda de até R$ 665,00/mês) ou na extrema pobreza (renda inferior a R$ 209,00/mês) segundo os dados do IBGE.

De toda a população que trabalha no setor privado e contribui para o INSS, 35,63% (ou quase 34,5 milhões de cidadãos) recebem vencimentos mensais de apenas um salário-mínimo. Outros 30% desse contingente (de 29 a 30 milhões de pessoas) ganham entre um e dois salários-mínimos por mês, respectivamente, R$ 1.621,00 e R$ 3.242,00.

No setor público, há cerca de 2 milhões de cidadãos, servidores municipais, que recebem apenas um salário-mínimo por mês. Isto é: no Brasil de hoje, entre 97 e 100 milhões de pessoas vivem com menos de um salário-mínimo por mês. É quase a metade da população nacional. Os governos não cumpriram a promessa de acabar com a pobreza, não obstante o excesso de arrecadação tributária.

Ninguém fez essas contas, mas o governo federal, mesmo sabendo das enormes desigualdades regionais, sociais, raciais e educacionais, agravou ainda mais as dificuldades dos 50% mais pobres da população, essa enorme massa que vive com menos de um salário-mínimo por mês. Isso foi feito por meio da sanção, em 28 de dezembro de 2024, de nova lei, de iniciativa do líder do governo na Câmara dos Deputados, alterando a fórmula de cálculo da parcela do aumento real anual do salário-mínimo. O reajuste, antes calculado em função da taxa de crescimento do PIB (3,0%, 3,2%, 3,4% em 2022, 2023 e 2024, respectivamente), passou a ter como parâmetro o aumento nominal da inflação, limitado ao teto de 2,5% ao ano. Com isso, os reajustes de 2025 e 2026 ficaram bem abaixo dos valores do cálculo da fórmula anterior: diferença para menos equivalente a R$ 9,57/mês em 2025 (R$ 124,41 no ano) e menos R$ 25,79/mês (R$ 335,27 no ano), em 2026.

Perderam aposentados, pensionistas, servidores de um número grande das prefeituras municipais (mais de 3 milhões de pessoas) e mais de 34 milhões de trabalhadores do setor privado. Ou seja, quase 100 milhões de pessoas tiveram renda diminuída sem perceber, e consequentemente, colocaram menos alimentos em suas mesas, enquanto aguardavam a picanha que nunca veio.

Mas não é só. Mais de 60 milhões de pessoas (20 milhões de famílias) beneficiários do Bolsa Família vêm perdendo a capacidade de comprar alimentos por conta da inflação  – de 2024 (4,83%) e de 2025 (4,26%) – somados aos 33 meses sem reajuste do benefício (o último ocorreu em março de 2023). Essa perda foi de R$ 390,43 em 2025 e chegará a R$ 755,64 ao final de 2026.

Tal situação é ainda mais chocante quando se sabe que o Brasil registrou recorde histórico de arrecadação tributária em 2025, atingindo R$ 2,93 trilhões, resultado alavancado por aumento de impostos. Esse montante é R$ 710 bilhões superior à arrecadação de 2022, quando teve início o atual mandato presidencial.

Também é necessário levar em conta que o orçamento do governo federal é da ordem de R$ 6,50 trilhões (mais de 50% de tudo o que o país produziu no período de janeiro a dezembro de 2025) e mesmo com a arrecadação recorde, investiu nas áreas essenciais menos de 2% do valor do seu orçamento anual e dedicou aos professores aumento de apenas 5,4% no piso salarial, percentual suficiente para a compra de não mais que 2 quilos de feijão por mês. Tudo feito de forma silenciosa e sem explicação alguma de nenhum ministro, assim como aconteceu com a retirada de renda de mais de 100 milhões de brasileiros que vivem na pobreza ou ganham até R$ 54,00 por dia.

Não se pode falar também em administração eficiente porque, apesar de tamanha economia às custas dos mais necessitados, o governo aumentou a dívida pública em mais de R$ 1,1 trilhão no ano, em valores nominais. Isso gerou o déficit primário de mais de R$ 70 bilhões e obrigou o país a pagar cerca de R$ 1,0 trilhão em juros aos bancos, em 2025. Sem falar nos prejuízos gigantes das estatais, fruto de gestões fracassadas, com destaque (negativo) para os Correios.

Por outro lado, enquanto os mais pobres sofrem, quase 70% dos servidores do Tribunal de Contas da União (TCU) receberam em 2025 vencimentos acima do teto constitucional de R$ 46.366,19/mês e, em alguns casos, houve ganhos de até R$ 264 mil/mês. No total, 53.500 servidores públicos federais receberam acima do teto constitucional no ano passado, a um custo de R$ 20 bilhões/ano. E como se não bastasse, o Ministério da Fazenda aprovou um orçamento para destinar aos parlamentares R$ 60 bilhões em emendas, dos quais R$ 41 bilhões nada têm a ver com os programas da pasta; além de destinar mais de R$ 6 bilhões para as despesas eleitorais dos partidos políticos. Beira o deboche o governo gastar tanto com esses tipos de despesas, suportadas com recursos retirados do bolso e das mesas dos trabalhadores.

Na prática, o governo tira poder de compra de 90 a 100 milhões de brasileiros para distribuir privilégios para os poderosos donos do poder (os donatários do século XXI) e aos milhões de beneficiários das renúncias fiscais federais (topo da pirâmide), hoje da ordem de R$ 600 bilhões/ano. Além disso, faz muito pouco ou quase nada para combater o crescimento gigantesco da corrupção, um mal noticiado todos os dias, sem nenhum pronunciamento minimamente contundente de algum ministro.

Vale lembrar o ensinamento de John Kenneth Galbraith (1908-2006): “Nada mais eficaz para limitar a liberdade, incluindo a liberdade de expressão, como a total falta de dinheiro”. Indo mais além, cito também Harry Edson Browne (1933-2006): “O Governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: ‘veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz de andar!’”. Me digam se não é exatamente o que estamos vivendo, o cenário atual.

Pois o povo brasileiro, que possui a liberdade e o poder do voto, precisa de informações corretas e muita reflexão para não se deixar enganar pela propaganda eleitoral que vem por aí.

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